
Entre os quatro casos suspeitos de intoxicação por metanol que estão sendo investigados em Pernambuco, um foi notificado em João Alfredo, no Agreste do estado. O paciente foi um homem de 30 anos, que morreu na terça-feira (30), quatro dias após ser internado no Hospital Mestre Vitalino, em Caruaru, também no Agreste.
Segundo informações apuradas pelo g1, o paciente era Ronaldo de Lima Melo. De acordo com moradores da região, ele morava na comunidade do Sítio Fundão, localizada na zona rural do município, e trabalhava com plantação e venda de verduras.
Ainda segundo os relatos, Ronaldo tinha duas irmãs, que o acompanharam no hospital depois que passou mal. Vizinhos contaram, ainda, que ele morou a vida inteira no Sítio Fundão, não tinha filhos e costumava comprar bebidas destiladas, como cachaça e vodca, em bares da localidade.
No Instagram, uma funerária de João Alfredo publicou uma nota de pesar informando o falecimento de Ronaldo. O velório, de acordo com o comunicado, foi realizado na quarta-feira (1º), no sítio da residência da mãe dele, que não teve o nome divulgado.
A postagem informa também que o sepultamento está marcado para esta quinta-feira (2), às 9h, no cemitério São José, em João Alfredo.
Os três primeiros casos suspeitos de intoxicação por metanol em Pernambuco foram notificados na terça-feira (30), incluindo dois homens que morreram e um terceiro que perdeu a visão e recebeu alta do hospital. Com exceção de Ronaldo, todas as outras ocorrências foram registradas no município de Lajedo, também no Agreste do estado (veja vídeo acima).
Em coletiva de imprensa realizada na quarta-feira (1º), o delegado titular de Lajedo, Cledinaldo Orico, informou que investiga uma quarta suspeita de intoxicação no município. No entanto, esse caso ainda não foi notificado pela SES.
Segundo a diretora da Agência Pernambucana de Vigilância Sanitária (Apevisa), Karla Baêta, a diferença ocorre porque apenas dois dos homens foram transferidos para o Hospital Mestre Vitalino, que realizou a notificação. Por conta disso, a morte está sendo investigada pela polícia, mas não é um dos casos considerados suspeitos pela SES.
Com isso, o número de casos suspeitos subiu para quatro:
De acordo com o delegado, há indícios de que os três casos possíveis de contaminação por metanol em Lajedo tenham partido de garrafas de uísque compradas por uma das vítimas, em um caminhão na cidade de Belo Jardim, para revenda.
Em nota divulgada na noite da quarta (1º), o Ministério da Saúde (MS) informou que o Centro Nacional de Informações Estratégicas em Vigilância em Saúde (Cievs Nacional) recebeu 41 notificações. Entre elas, são 37 de São Paulo (dez casos confirmados e 27 suspeitos) e quatro em Pernambuco (em investigação).
O ministério disse, ainda, que enviou uma nota técnica a todos os estados e municípios, orientando que qualquer suspeita de intoxicação por metanol seja notificada imediatamente.
A nota diz também que o documento compartilhado pelo MS com os estados e municípios traz diretrizes para que os serviços de saúde adotem a condução adequada dos casos e garantam a comunicação rápida das ocorrências.
Cuidados com o consumo de destilados
A SES recomenda que a atenção seja redobrada com relação ao consumo de bebidas alcoólicas destiladas, como vodca, gin, cachaça e uísque, por causa do risco de adulteração com substâncias tóxicas.
Entre as orientações aos consumidores, a Apevisa reforçou que é recomendado:
Para comerciantes, a recomendação é redobrar o cuidado na escolha de fornecedores. Preços muito abaixo do mercado podem ser indício de adulteração.
Nos bares e restaurantes, a Apevisa sugere que o cliente peça para ver a garrafa da dose que será servida. Já em relação às bebidas prontas, como drinks, a recomendação é consumir apenas em locais licenciados e acompanhados pela Vigilância Sanitária.
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