
O presidente russo, Vladimir Putin, iniciou na quinta-feira (4) uma visita de alto nível à Índia para tentar preservar uma parceria considerada vital por Moscou, mas que tem despertado a ira do governo Trump. Durante a cúpula de dois dias com o primeiro-ministro Narendra Modi, Putin deve oferecer "petróleo barato" e armamentos para reforçar laços históricos.
A viagem ocorre após a longa reunião entre autoridades russas e os enviados americanos Steve Witkoff e Jared Kushner fracassar em produzir um acordo sobre a guerra na Ucrânia. Mesmo sem avanços, diplomatas afirmam que Moscou busca evitar novas pressões de Washington.
A relação entre Índia e EUA vive um momento crítico, após Trump impor tarifas de 50% a produtos indianos em resposta às compras de petróleo russo. Antes da guerra, apenas 2% do petróleo importado pela Índia vinha da Rússia. Hoje, representa cerca de um terço. Temendo sanções americanas às estatais Rosneft e Lukoil, Nova Délhi deve cortar importações para 1 milhão de barris por dia, segundo a Kpler.
Analistas avaliam que a Índia continuará adquirindo petróleo russo por vias não sancionadas. "Líderes políticos não querem parecer que estão cedendo às sanções dos EUA", escreveu Sumit Ritolia, da Kpler.
Apesar das incertezas, a relação bilateral vive um momento de retomada, afirma Aleksei Zakharov, do think tank indiano Observer Research Foundation. A visita de Modi a Moscou em 2024 marcou uma inflexão, e Nova Délhi voltou a classificar o vínculo com Moscou como um de seus mais confiáveis. "A trajetória é ascendente", disse.
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